O Chá que Alimenta Trabalhadores em Maputo e Sustenta Famílias

Ainda é madrugada quando algumas mulheres começam a ocupar as ruas do centro de Maputo. Enquanto grande parte da cidade ainda desperta, elas já têm chá, pão, bolinhos, batata-doce e ovos cozidos prontos para os primeiros clientes: trabalhadores que seguem para mais um dia de serviço.
Para estas mulheres, as primeiras horas da manhã são decisivas. Saem de casa cedo, transportam os produtos e procuram pontos de maior circulação. Cada chá servido, cada pão ou ovo vendido representa rendimento para comprar comida, pagar despesas da casa e responder às necessidades da família.
Carolina António é uma dessas mulheres. Nas primeiras horas do dia, vende chá, pão e outros alimentos. O frio da madrugada não interrompe uma rotina que depende do movimento de quem entra cedo ao trabalho.
Noutra esquina está Elia Raul. A sua aposta é a batata-doce, um produto simples que se transforma, ao mesmo tempo, em fonte de rendimento para a vendedora e numa alternativa de pequeno-almoço para quem passa a caminho do serviço.
Joaquina Patrício encontrou nos ovos cozidos a sua forma de ganhar a vida. Tal como Carolina e Elia, integra um grupo de mulheres que encontra no pequeno comércio uma alternativa para gerar o próprio rendimento num mercado de trabalho onde o emprego formal continua fora do alcance de muitas pessoas.
A realidade observada nas ruas de Maputo encontra reflexo nos números oficiais. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que 78% das mulheres empregadas em Moçambique trabalham por conta própria, sem empregados. A proporção mostra até que ponto a criação do próprio trabalho continua a ter peso na sobrevivência económica de muitas mulheres.
Na Cidade de Maputo, cerca de 41% das mulheres empregadas encontram-se igualmente na condição de trabalhadoras por conta própria, reforçando a importância de pequenas actividades económicas na geração de rendimento.
A economia informal tem, por isso, uma presença expressiva na capital. Dados do INE referentes ao sector informal estimaram em cerca de 430 mil o número de pessoas com 15 ou mais anos envolvidas neste tipo de actividade na Cidade de Maputo, com o comércio entre as principais fontes de ocupação.
É neste universo que se encontram as pequenas bancas e os pontos improvisados de venda de alimentos espalhados pelas ruas. O que parece apenas uma chávena de chá ou uma batata-doce comprada à pressa faz parte de uma cadeia económica que liga quem procura sustento a quem precisa de uma refeição acessível antes de começar o trabalho.
Nas primeiras horas do dia, os dois mundos encontram-se. Trabalhadores de escritórios, lojas, transportes, construção, segurança e outros serviços compram o pequeno-almoço a mulheres que começaram a trabalhar várias horas antes.
Mas a actividade não está livre de dificuldades. As operações de fiscalização podem interromper as vendas e colocar em risco os produtos preparados e o investimento feito para aquele dia. Para quem depende do rendimento diário, algumas horas sem vender podem fazer diferença no orçamento familiar.
Apesar disso, todas as madrugadas a rotina recomeça.
Carolina, Elia, Joaquina e muitas outras mulheres regressam às ruas com chá, pão, ovos e batata-doce. Para quem compra, é apenas o pequeno-almoço antes do trabalho. Para quem vende, cada pequena compra ajuda a manter uma família.
Nas ruas de Maputo, o chá que alimenta trabalhadores é também parte da economia que mantém muitas casas de pé.








