China, Maurícias, Vietname e África do Sul estiveram entre os principais destinos da madeira processada exportada por Moçambique entre Janeiro e Junho, com os mercados asiáticos a assumirem particular relevância.
De acordo com o relatório de execução do primeiro semestre, o forte crescimento das exportações foi impulsionado pela inclusão de folheados, toros e contraplacados, produtos que não tinham registado vendas externas no período homólogo de 2025.
“O crescimento é justificado pelo facto de terem sido também exportados folheados, toros e contraplacados, o que não se observou no período homólogo de 2025”, refere o documento.
Os folheados representaram a maior contribuição para o aumento, com as exportações a atingirem 22.460 metros cúbicos, depois de não terem registado qualquer volume no primeiro semestre de 2025.
Moçambique exportou igualmente 683 metros cúbicos de contraplacados e 150 metros cúbicos de toros.
Apesar do crescimento global, algumas categorias registaram quebras significativas. As exportações de tábuas caíram 80%, passando de 5.513 para 1.119 metros cúbicos, enquanto as de pranchas diminuíram 10%, de 120 para 108 metros cúbicos.
As vendas externas de peças de mobiliário recuaram 62%, de 337 para 128 metros cúbicos, enquanto os barrotes deixaram de ser exportados durante o período em análise.
O crescimento das exportações ocorre num contexto em que operadores do sector florestal têm defendido a criação de preços de referência para os produtos florestais, alegando que o actual modelo deixa os produtores excessivamente dependentes dos valores estabelecidos pelos compradores internacionais.
A Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (Fedemoma), que representa cerca de 400 operadores, tem igualmente apontado os elevados custos de produção e transporte, bem como a existência de vários postos de fiscalização ao longo das estradas nacionais, como alguns dos principais desafios enfrentados pelo sector.
O sector florestal representa actualmente menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e gera cerca de 22 mil postos de trabalho, segundo dados oficiais anteriormente divulgados.
A Fedemoma defende que a revisão da legislação florestal e o aumento do processamento da madeira dentro do País poderão contribuir para aumentar o peso do sector na economia e gerar maior valor acrescentado a partir dos recursos florestais nacionais.