China sobe de 6% para 29% do tráfego aéreo doméstico mundial e aproxima-se dos EUA

A China passou de 6% para 29% do tráfego aéreo doméstico mundial em 25 anos, medido em passageiros-quilómetro pagos, e encostou-se aos Estados Unidos, que baixaram para 37%. O dado mostra como o mercado interno chinês se tornou um dos principais motores da aviação mundial e ajuda a explicar a mudança de peso do setor para a Ásia-Pacífico.
A leitura destes números é simples: a China deixou de ser um actor marginal no tráfego doméstico global e passou a concentrar quase um terço das viagens internas do mundo. Para a aviação, isto significa que a procura, as rotas, a oferta de aviões e até a transição energética passam cada vez mais pelo mercado chinês.
Os dados foram apresentados por Erik Chan, gestor regional da IATA para Hong Kong e Macau, numa sessão organizada pela Câmara de Comércio França-Macau. A IATA usa a medida de passageiros-quilómetro pagos, que junta o número de passageiros com a distância que viajam, para avaliar a dimensão real do tráfego aéreo.
No início do século, os Estados Unidos concentravam 65% do tráfego interno mundial e a China apenas 6%. Hoje, o cenário inverteu-se em parte: os EUA recuaram para 37% e a China subiu para 29%, numa mudança que a IATA descreve como uma das maiores transformações estruturais da história do setor.
O peso económico acompanha essa expansão. A IATA diz que a China é atualmente o segundo maior mercado de aviação em contribuição para o PIB nacional, com 253,6 mil milhões de dólares de impacto total na economia, incluindo efeitos diretos, indiretos e turismo associado. PIB significa Produto Interno Bruto, ou seja, o valor total da actividade económica produzida num país.
A dimensão do mercado não se limita ao tráfego doméstico. Han Jun, vice-chefe da Administração Estatal de Aviação Civil da China, indicou que as companhias aéreas chinesas operavam, em julho, rotas internacionais regulares de passageiros para 177 cidades em 80 países. No primeiro semestre, essas rotas somaram mais de 40 milhões de viagens, mais 5,7% do que no mesmo período do ano anterior.
A IATA prevê ainda que o tráfego aéreo global mais do que duplique até 2050, para 21 biliões de passageiros-quilómetro pagos. Se a procura interna chinesa continuar a crescer e a oferta de aeronaves não acompanhar, o efeito vai sentir-se nas rotas, nos custos e na pressão para produzir e usar mais Combustíveis Sustentáveis de Aviação, isto é, combustíveis com menor impacto climático do que o querosene tradicional.
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