Segundo o relatório Monitor de Segurança Alimentar, da Alliance for a Green Revolution in Africa (AGRA), cerca de 3,5 milhões de moçambicanos enfrentam actualmente insegurança alimentar aguda.
O documento indica que aproximadamente 18% da população analisada se encontra nesta situação, colocando Moçambique entre os países mais vulneráveis da África Austral.
A situação é considerada mais preocupante nas zonas afectadas pelo conflito em Cabo Delgado e no norte de Nampula, onde a violência continua a limitar o acesso das populações a alimentos, mercados e meios de subsistência.
A AGRA alerta que o cenário poderá agravar-se nos próximos meses, sobretudo com a aproximação da época de escassez e a redução das reservas alimentares das famílias.
Entre Outubro e Janeiro, algumas regiões poderão entrar em situação de crise alimentar, pressionadas pelos preços elevados dos produtos básicos e pela diminuição do poder de compra.
O relatório aponta ainda que, apesar de o preço do milho ter registado uma redução mensal de 2% em Agosto, continua 10,7% acima do nível observado no mesmo período do ano passado.
O arroz, por sua vez, registou uma subida mensal de 3,6%, reflectindo dificuldades de oferta e custos associados às importações.
A situação poderá também ser agravada pelas condições climáticas. A AGRA alerta para o desenvolvimento de um forte fenómeno El Niño, que poderá provocar precipitação abaixo da média e temperaturas elevadas em grande parte da África Austral durante a campanha agrícola 2026/27.
Este cenário poderá afectar a produção agrícola e aumentar a vulnerabilidade das famílias que dependem directamente da agricultura para alimentação e rendimento.