BPI Vende Parte que Tinha em Banco de Angola e BCI Pode Ser o Próximo

O banco português BPI chegou a acordo para vender os 33,35% que ainda detinha no Banco de Fomento Angola (BFA), numa operação avaliada em 388,5 milhões de euros. A decisão volta a colocar atenção sobre o futuro da participação que o banco mantém no BCI, em Moçambique, cuja venda já foi admitida anteriormente.
Segundo informação divulgada pelo BPI, o comprador da participação no BFA será a Congolian Financial, sociedade ligada ao Grupo Carrinho, um dos maiores grupos empresariais angolanos, com forte presença no sector do agronegócio.
O acordo prevê um primeiro pagamento de 345 milhões de euros no momento da conclusão da transacção e uma segunda parcela de 43,5 milhões de euros. Poderá ainda existir um pagamento adicional relacionado com parte dos dividendos do BFA referentes a 2026.
A conclusão do negócio depende, entretanto, de várias autorizações e condições, entre as quais a não oposição do Banco Nacional de Angola e a decisão da Unitel, maior accionista do BFA, sobre o eventual exercício do seu direito de preferência.
O BPI esteve ligado ao BFA desde a criação do banco, em 2002, e chegou a controlar a maioria do seu capital. Nos últimos anos, porém, foi reduzindo gradualmente a sua presença na instituição angolana.
Em 2025, o BPI já tinha vendido 14,75% do BFA através de uma oferta pública, operação que lhe permitiu encaixar cerca de 103 milhões de euros. Com a nova venda, o banco prepara-se para deixar definitivamente a estrutura accionista do BFA.
A operação ganha particular interesse para Moçambique porque o BPI também é accionista do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), onde detém 35,67% do capital.

Nos últimos meses, responsáveis do BPI têm indicado que as participações mantidas em bancos africanos já não são consideradas estratégicas para o grupo, admitindo, por isso, a possibilidade de venda da posição no BCI.
Até ao momento, não existe qualquer anúncio de comprador nem acordo confirmado para a venda das acções do BPI no banco moçambicano.
A concretização da saída do BFA mostra, contudo, que o banco português está a avançar com a redução da sua presença bancária em África, aumentando a expectativa sobre o futuro da participação que ainda mantém no BCI.








