A Administração de Segurança dos Transportes dos Estados Unidos (TSA) anunciou que passará a permitir, em determinados aeroportos, que pessoas sem bilhete de avião atravessem os controlos de segurança e acompanhem familiares ou amigos até às zonas próximas das portas de embarque.
A medida começa por abranger pessoas inscritas no TSA PreCheck, programa destinado a passageiros previamente verificados pelas autoridades norte-americanas e que permite procedimentos de segurança mais rápidos.
Os interessados em entrar na zona de embarque sem viajar terão de solicitar autorização antecipadamente, entre um e três dias antes da visita. O programa deverá estar disponível inicialmente em 13 aeroportos norte-americanos.
A mudança recupera uma prática comum antes dos ataques de 11 de Setembro, quando familiares e amigos podiam acompanhar passageiros até às portas de embarque.
Outra alteração em análise poderá permitir que alguns passageiros transportem garrafas de água cheias através dos controlos de segurança.
A actual limitação ao transporte de líquidos foi reforçada depois de uma tentativa de atentado em 2006, no Reino Unido, envolvendo planos para esconder substâncias explosivas líquidas em recipientes de bebidas.
Segundo especialistas em segurança da aviação, a eventual flexibilização tornou-se possível graças à evolução tecnológica dos equipamentos utilizados nos aeroportos.
Os novos sistemas de tomografia computorizada conseguem analisar o conteúdo das bagagens com maior detalhe e melhorar a capacidade de identificação de materiais considerados perigosos, incluindo explosivos líquidos.
As mudanças juntam-se a outra decisão recente das autoridades norte-americanas de eliminar, em determinadas situações, a exigência de retirada dos sapatos durante os controlos de segurança, uma medida que esteve em vigor durante cerca de duas décadas.
Apesar das alterações, especialistas sublinham que a flexibilização não significa necessariamente uma redução dos níveis de segurança, uma vez que os procedimentos estão a ser ajustados à capacidade dos novos equipamentos e aos sistemas de avaliação prévia dos passageiros.
As novas políticas aplicam-se, para já, aos Estados Unidos. As regras de segurança aeroportuária variam de país para país e qualquer mudança noutros mercados dependerá das respectivas autoridades de aviação e segurança.
No entanto, devido ao peso dos Estados Unidos na aviação internacional, alterações relevantes nos seus aeroportos podem alimentar discussões sobre a revisão de práticas adoptadas globalmente depois dos atentados de 11 de Setembro.
Caso os novos procedimentos demonstrem ser eficazes sem comprometer a segurança, outros países poderão avaliar medidas semelhantes, sobretudo à medida que substituem equipamentos tradicionais por tecnologias mais avançadas de inspecção.
As mudanças representam uma das maiores revisões das práticas de segurança aeroportuária norte-americanas das últimas décadas e mostram como a tecnologia começa a transformar regras que se tornaram parte da experiência de viajar de avião desde o início dos anos 2000.