O pedido foi apresentado pela ministra dos Combatentes, Nyeleti Mondlane, após a assinatura, em Maputo, de um memorando de entendimento entre Moçambique e Portugal sobre preservação e estudo do património arquivístico militar.
Segundo a governante, uma parte significativa da documentação sobre operações militares, efectivos, locais de detenção e decisões políticas e militares daquele período encontra-se actualmente em arquivos portugueses.
Nyeleti Mondlane defendeu que o acesso de investigadores moçambicanos a esses documentos poderá ajudar a confirmar identidades de combatentes, localizar sepulturas e recuperar informação considerada importante para as famílias.
A ministra explicou que o acordo assinado prevê também apoio técnico português para a recuperação, digitalização, conservação e valorização do património arquivístico militar existente em Moçambique.
Para o Governo moçambicano, porém, o objectivo vai além da preservação dos documentos existentes no País e inclui a possibilidade de realizar uma investigação histórica conjunta com base nos arquivos disponíveis em Portugal.
O ministro da Defesa português, Nuno Melo, afirmou que o acesso aos documentos é importante para permitir uma reconstrução histórica baseada em factos verificáveis.
Segundo o governante português, a preservação e abertura dos arquivos representa também um passo no processo de reconciliação entre os dois países e no reconhecimento dos antigos combatentes.
Portugal conta com cerca de 130 mil antigos combatentes vivos, enquanto Moçambique tem aproximadamente 120 mil, segundo dados referidos por Nuno Melo.
As autoridades dos dois países consideram que a cooperação nesta área poderá contribuir para preservar a memória histórica comum e facilitar o acesso das novas gerações a informações sobre o período da guerra de libertação.