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K9 Alerta que Artistas Podem Ficar Dependentes da IA

K9 Alerta que Artistas Podem Ficar Dependentes da IA
Por Isabel Dalciana 3 min

O rapper, cantor e compositor moçambicano K9 alertou que o uso excessivo da inteligência artificial na produção musical pode criar dependência, reduzir o esforço criativo e levar artistas a confiar cada vez mais na tecnologia para tarefas que antes dependiam directamente da capacidade humana.

As declarações foram feitas esta terça-feira, 8 de Setembro, durante o programa Estrelas, da BTV, onde o artista abordou o impacto da inteligência artificial na música e os desafios que a sua rápida expansão coloca à classe artística.

K9 afirmou não ser contra a utilização da tecnologia e considera a chegada da IA positiva, desde que seja entendida como instrumento auxiliar.

“Claro que é bem-vinda, porque é tecnologia que avança, que evolui sem parar. Mas é muito importante que não se esqueçam que inteligência artificial é uma ferramenta”, afirmou.

Segundo o artista, o problema surge quando a utilização deixa de ser pontual e passa a substituir grande parte do processo de criação.

“As pessoas estão a usar inteligência artificial para tudo. Já é mais do que ferramenta, já é hábito”, alertou, comparando esse comportamento à dependência que actualmente existe em relação aos telemóveis.

K9 considera que uma das consequências poderá ser o aumento da “preguiça” criativa entre músicos e outros profissionais ligados às artes.

“A preguiça que vai-te criar por usar a inteligência artificial é muito grande. Tens que usar como um auxílio. É uma ferramenta que usas para alguns pontos”, defendeu.

Para o músico, a facilidade proporcionada pela IA também poderá tornar parte da produção artística mais previsível. K9 disse conseguir identificar alguns conteúdos produzidos com recurso à tecnologia pela simplicidade das letras e estruturas.

k9 — K9 Alerta Que Artistas Podem Ficar Dependentes da IA
Imagem de apoio. O músico considera ainda que o recurso constante à IA pode alimentar a preguiça entre os criadores.

“Há conteúdos que são muito básicos”, afirmou, defendendo que escrever, compor e desenvolver uma obra original continua a exigir um processo criativo que vai além da geração automática de conteúdos.

O rapper entende, porém, que a expansão da IA também poderá aumentar a competitividade dentro da indústria musical, obrigando os artistas a demonstrarem melhor as suas capacidades.

“Vão sobreviver realmente aqueles que são bons”, declarou, acrescentando que “quem é bom vai ter que mostrar que é bom”.

Para K9, essa diferença poderá tornar-se particularmente evidente nas actuações ao vivo, onde o artista terá de demonstrar capacidades que não podem ser resolvidas apenas com tecnologia utilizada em estúdio.

Outra preocupação levantada pelo músico está relacionada com a identidade da produção nacional. K9 considera que as ferramentas disponíveis ainda reproduzem, em muitos casos, padrões culturais e musicais de mercados estrangeiros.

“Tem que ter uma identidade nossa”, defendeu.

“É difícil tu encontrares na IA que ela te dê algo que seja moçambicano. Então, vai ter que se esforçar mesmo”, acrescentou, defendendo que cabe aos criadores garantir que a tecnologia não conduza à perda das características próprias da música nacional.

Apesar dos alertas, K9 reconheceu vantagens concretas da inteligência artificial na área técnica. O músico revelou já ter experimentado estas ferramentas em processos de masterização e finalização de músicas.

“A IA pode dar aquela qualidade internacional, aquele padrão para estar naquele nível”, explicou.

O artista destacou ainda que utilizar inteligência artificial para produzir música não dispensa conhecimento. Segundo K9, até a qualidade das instruções dadas à ferramenta, através dos chamados prompts, influencia directamente o resultado final.

Na sua perspectiva, os profissionais da música devem, por isso, compreender melhor a tecnologia antes de incorporá-la de forma intensiva no processo criativo.

“É importante nós investigarmos como é que a IA pode nos ajudar. Mas não fazer de tal forma que fiques dependente daquilo”, afirmou.

K9 defende, assim, uma utilização equilibrada da inteligência artificial na indústria cultural: aproveitar as vantagens técnicas da tecnologia, sem permitir que esta substitua a criatividade, a identidade artística e o trabalho individual dos músicos.

“A questão é como usamos. O pensamento é usar só como ferramenta”, concluiu.

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