Insurgentes Atacam Acampamento Ligado a Carlos Queiroz em Niassa

Pelo menos uma pessoa morreu e cerca de duas mil ficaram deslocadas depois de um ataque de insurgentes na província de Niassa, que atingiu um acampamento turístico ligado ao ex-treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz.
Segundo noticiou a agência Lusa, o ataque ocorreu na quinta-feira, na Coutada de Marangira, e provocou a destruição de várias infra-estruturas, incluindo o acampamento da Mozambique Wild Adventures (MWA).
O secretário de Estado em Niassa, Silva Livone, afirmou que mais de duas mil pessoas foram encaminhadas para um centro de acolhimento, onde estão a receber assistência.
“Temos mais de 2.000 pessoas, como nós dissemos, no local de acolhimento”, afirmou o governante.
Durante a incursão, os insurgentes saquearam, incendiaram e vandalizaram o acampamento turístico, tendo igualmente levado algumas viaturas e incendiado outras.
Residências, um centro de saúde e um posto policial também foram atingidos durante o ataque.
Apesar da dimensão da incursão, as autoridades confirmaram, até ao momento, uma morte.
“Deixaram-nos avultados danos materiais, relativamente poucos danos humanos, mas ainda estamos no terreno a trabalhar. Tivemos muita pressão durante a noite de ontem, não dormimos”, explicou Silva Livone.
### Insurgentes Terão Vindo de Cabo Delgado
As autoridades acreditam que o grupo responsável pelo ataque entrou em Niassa a partir da província vizinha de Cabo Delgado, onde decorre uma insurgência armada desde 2017.
Silva Livone explicou que o comportamento do grupo durante a incursão leva as autoridades a considerar que os insurgentes procuravam alimentos, viaturas e outros meios para reforçar a sua capacidade logística.
“Do modus operandi, do comportamento que tiveram, literalmente, conduziu-nos a esta conclusão de que os terroristas vieram à procura de reforçar a sua base logística em termos de mantimentos”, afirmou.
O dirigente apelou às comunidades para reforçarem a vigilância enquanto continuam os trabalhos para avaliar a dimensão total dos prejuízos.
O ataque provocou igualmente danos significativos no acampamento de safáris associado a Carlos Queiroz.
A organização ambientalista Mozambique Bio estima que o investimento realizado no local ao longo de mais de uma década ronde 3,5 milhões de dólares.
No momento do ataque encontravam-se no acampamento três turistas estrangeiros, que conseguiram escapar em segurança, embora tenham perdido documentos pessoais e dinheiro durante o assalto.
Cerca de 15 trabalhadores do acampamento terão abandonado as instalações e procurado refúgio no mato.
### Ataques Alastram Para Niassa
A insurgência armada afecta principalmente Cabo Delgado desde 2017, mas nos últimos anos foram igualmente registadas incursões pontuais nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula.
O conflito em Cabo Delgado já provocou mais de 6.600 mortos e obrigou mais de 1,2 milhão de pessoas a abandonar as suas zonas de residência.
Só em Agosto, a violência armada na província provocou 1.401 novos deslocados.
Dados divulgados pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários indicam ainda que os incidentes relacionados com o conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período anterior.








