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INE Diz que Insegurança em Cabo Delgado Pode Dificultar Censo de 2027

há 1h 3 min 0 leituras
INE Diz que Insegurança em Cabo Delgado Pode Dificultar Censo de 2027

O Instituto Nacional de Estatística (INE) admite que a insegurança em Cabo Delgado pode dificultar a cobertura total da província no recenseamento geral da população e habitação de 2027, mas garante que a meta continua a ser chegar a todo o território com apoio das autoridades competentes. A preocupação está ligada à insurgência armada que afecta a província desde 2017 e aos constrangimentos de acesso em algumas zonas.

A posição foi transmitida em Pemba, capital de Cabo Delgado, durante as celebrações dos 30 anos da criação do INE. O delegado provincial do instituto em Cabo Delgado, Lucas Mateus, disse que o desafio não é a intenção de cobrir toda a província, mas a forma de o fazer em áreas onde o acesso depende de informação prévia das autoridades locais.

"A meta é cobrir toda a província, porque o censo tem que cobrir todas as áreas. O desafio é como conseguir esse feito, cobrirmos todas as áreas da província, mas em devida altura as autoridades competentes vão colaborar nesse sentido, de modo a tornar possível fazer a cobertura a nível da província", afirmou.

Segundo Lucas Mateus, os trabalhos preparatórios decorrem sem constrangimentos. Nessa fase, o INE está a fazer a actualização cartográfica, isto é, a revisão e actualização dos mapas e dos limites administrativos que servem de base à operação censitária.

Esse trabalho inclui a identificação das infraestruturas habitacionais e não habitacionais e a definição dos locais onde os recenseadores devem ser colocados durante a operação. O objectivo, explicou, é garantir informação actualizada para o censo de 2027.

A actualização cartográfica está neste momento a decorrer em 12 distritos de Cabo Delgado, com a expansão prevista para mais três distritos na próxima semana.

Lucas Mateus disse ainda que esta fase preparatória está a avançar sem problemas, incluindo em zonas que tinham sido afectadas por grupos extremistas. Mesmo assim, admitiu que existem áreas onde não é possível entrar sem informação das autoridades locais.

A insurgência armada no norte de Moçambique, que começou em 2017, já provocou mais de 6.600 mortos e cerca de 1,2 milhão de deslocados, segundo dados de organizações internacionais e entidades de monitorização do conflito.

Para o INE, o recenseamento de 2027 é importante para actualizar os dados demográficos de Cabo Delgado, num contexto em que continuam a registar-se movimentos populacionais associados ao conflito. "Esta operação, o censo do próximo ano, vai permitir ter dados actualizados. Os dados que valem agora são de 2017", disse o delegado provincial.

O quinto Recenseamento Geral da População e Habitação será o primeiro em Moçambique feito de forma totalmente digital. O INE prevê que a operação custe 96,2 milhões de euros.

Em Junho, o instituto anunciou que espera contar 36 milhões de habitantes no recenseamento de 2027, mais 10 milhões do que os pouco mais de 26 milhões registados no censo de 2017. Na mesma apresentação da estrutura organizativa da operação, a presidente do INE, Elisa Magaua, afirmou que o país deverá registar um crescimento populacional face aos pouco mais de 26 milhões recenseados em 2017.

O Banco Mundial já garantiu um financiamento inicial de 12,7 milhões de dólares, cerca de 11 milhões de euros, para apoiar a operação.

O INE estima ainda que a população moçambicana tenha atingido 34 milhões de habitantes em 2025, face aos pouco mais de 26 milhões registados no último censo.

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