Os dados constam do Índice de Emprego e Produtividade, apresentado esta sexta-feira, em Maputo, pela Fundação para a Competitividade Empresarial.
O relatório foi apresentado por Ivania Matisse, técnica da FUNDEC, e mostra que o índice atingiu 30,37 pontos em 100 no segundo trimestre, contra 28,01 pontos no período anterior.
Apesar da melhoria, o resultado mantém o país na classificação CCC, correspondente a um desempenho considerado muito fraco e de risco muito elevado.
Durante a apresentação, Ivania Matisse destacou que o aumento do emprego, por si só, não significa necessariamente uma melhoria da capacidade produtiva da economia.
“O desafio de Moçambique não é apenas criar mais emprego, mas criar emprego produtivo”, afirmou.
Os dados indicam que o número de empregos considerados no índice passou de 33.469 no primeiro trimestre para 73.948 no segundo, uma subida de 40.479.
A FUNDEC considera, contudo, que continua a existir dificuldade em transformar esta maior participação no mercado de trabalho em empregos mais produtivos, melhor remunerados e capazes de gerar maior valor económico.
Ao mesmo tempo, o número de desempregados também aumentou, passando de 203.528 para 212.303 pessoas, uma subida de 4,3% em relação ao trimestre anterior.
Para a FUNDEC, estes dados demonstram que a economia ainda não consegue absorver a força de trabalho ao ritmo necessário.
A participação feminina foi o indicador com melhor desempenho no período. Ainda assim, a instituição alerta que a presença das mulheres na actividade económica precisa de ser acompanhada por melhores rendimentos, maior formalização do emprego e mais oportunidades de progressão profissional.
A produtividade por trabalhador continua em níveis muito baixos e constitui, segundo o estudo, um dos principais constrangimentos do mercado de trabalho moçambicano.
A FUNDEC associa o fraco desempenho a limitações no investimento, adopção de tecnologia, qualificação dos trabalhadores e eficiência das empresas.
A produtividade por hora também permanece reduzida, num contexto marcado por processos de produção pouco eficientes e baixos níveis de digitalização.
O relatório identifica ainda como principais desafios a criação insuficiente de emprego, baixa produtividade do trabalho, elevada informalidade, desajustamento entre formação e necessidades das empresas, concentração territorial do emprego e investimento, fragilidade das pequenas e médias empresas e baixa incorporação tecnológica.
Para inverter o cenário, a FUNDEC propõe a criação de uma Estratégia Nacional para a Produtividade, maior digitalização das empresas, reforço da formação profissional, incentivos à contratação formal e maior ligação dos grandes projectos às empresas e cadeias de valor nacionais.
A instituição defende igualmente maior investimento em sectores com capacidade para gerar emprego, incluindo agro-indústria, manufactura, turismo, economia digital, energias renováveis, logística e construção.
Na conclusão do estudo, a FUNDEC considera que Moçambique precisa de ir além da simples criação de postos de trabalho e concentrar-se na capacidade de cada emprego gerar rendimento, produtividade e valor para a economia.