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El Niño Pode Trazer Mais Seca e Fome a Moçambique

há 1h 2 min
El Niño Pode Trazer Mais Seca e Fome a Moçambique

Moçambique está entre os três países da África Austral que mais preocupam as Nações Unidas perante a possibilidade de um El Niño muito forte em 2026/27, fenómeno que poderá agravar a seca, a falta de alimentos e as dificuldades de acesso à água.

Segundo um relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Moçambique, Madagáscar e Maláui foram classificados como países de “muito elevada preocupação” devido aos possíveis impactos do fenómeno durante a principal época agrícola da região.

A ONU indica que existe uma probabilidade superior a 90% de o actual episódio de El Niño atingir intensidade muito forte até Março de 2027. Há ainda 70% de probabilidade de a falta de chuva entre Outubro e Dezembro ser mais severa do que a registada em qualquer episódio de El Niño desde 1950.

Em Moçambique, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê um El Niño forte entre Novembro de 2026 e Abril de 2027, com chuvas abaixo da média no Sul e Centro do País e acima da média no Norte.

A redução das chuvas poderá afectar principalmente a agricultura, o abastecimento de água e os meios de sobrevivência das famílias que dependem da produção agrícola. O Sul do País é apontado como uma das zonas com maior risco de seca.

O alerta surge numa altura em que cerca de 3,5 milhões de pessoas em Moçambique já enfrentam insegurança alimentar aguda. A ONU receia que uma nova seca provoque perdas nas colheitas, subida dos preços dos alimentos e aumento do número de famílias com dificuldades para se alimentar.

O relatório aponta ainda riscos relacionados com surtos de cólera e agravamento da situação das populações deslocadas em Cabo Delgado e Nampula, que já enfrentam dificuldades provocadas pelo conflito e pela redução da assistência humanitária.

A última época chuvosa também deixou o País mais vulnerável, depois de ciclones e inundações terem afectado cerca de um milhão de pessoas.

A ONU considera os próximos três meses decisivos para preparar os países da África Austral e reduzir os possíveis impactos do El Niño, alertando que grande parte dos recursos necessários para as acções antecipadas ainda não está financiada.