Segundo informações avançadas por órgãos de comunicação cabo-verdianos, o autocarro transportava alunos que participavam num passeio quando saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, município de Santa Catarina do Fogo.
O número de vítimas mortais foi sendo actualizado ao longo das horas. Um primeiro balanço apontava para 18 mortos, posteriormente revisto para 22, até chegar às 25 vítimas confirmadas.
De acordo com o jornal cabo-verdiano Expresso das Ilhas, 20 pessoas morreram no local do acidente, incluindo o motorista do autocarro. Outras cinco vítimas acabaram por morrer no Hospital Regional São Francisco de Assis.
Pelo menos 19 feridos foram transportados para aquela unidade sanitária, onde receberam assistência médica.
As autoridades esclareceram que, apesar de a maioria dos passageiros serem estudantes, a excursão não tinha sido organizada pelas escolas. Tratava-se de um passeio particular que envolvia alunos habitualmente transportados pelo motorista durante o ano lectivo.
Equipas da Delegacia de Saúde, Polícia Nacional, Bombeiros Municipais Voluntários e outras instituições foram mobilizadas para o local, numa operação de socorro dificultada pelas características montanhosas da zona onde o autocarro caiu.
Sete vítimas sepultadas durante a madrugada
Segundo o jornal A Nação, sete das vítimas mortais foram sepultadas durante a madrugada de domingo, numa cerimónia que contou com a presença de familiares e centenas de pessoas.
A realização dos funerais poucas horas depois do acidente esteve relacionada com questões logísticas e com pedidos apresentados pelas próprias famílias.
O município declarou dois dias de luto municipal e convocou uma reunião extraordinária para discutir medidas de apoio aos familiares das vítimas.
Presidente e Governo manifestam pesar
O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, apresentou condolências às famílias das vítimas e desejou uma rápida recuperação aos feridos.
O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, manifestou igualmente pesar pela perda de vidas e expressou solidariedade aos feridos e à população da ilha do Fogo.
O chefe do Governo destacou ainda o trabalho dos profissionais de saúde, bombeiros, forças de segurança e restantes equipas envolvidas nas operações de socorro.
Polícia investiga causas do acidente
As causas do acidente ainda não estão oficialmente determinadas.
A Polícia Nacional e peritos rodoviários abriram uma investigação para apurar as circunstâncias do despiste e deverão submeter o autocarro a uma peritagem técnica detalhada.
Segundo informações divulgadas pelo jornal A Nação, existem pelo menos quatro hipóteses em análise: uma eventual falha no sistema de travagem, possível excesso de lotação, o declive acentuado da estrada e as curvas fechadas existentes na zona.
A área onde ocorreu o acidente apresenta inclinações consideráveis e vários troços com curvas apertadas. Algumas zonas também não dispõem de barreiras de protecção capazes de conter veículos em caso de despiste.
Entre as hipóteses analisadas, relatos recolhidos no local apontam para uma possível falha súbita no sistema de travagem quando o autocarro circulava numa descida acentuada. Contudo, esta possibilidade ainda não foi confirmada oficialmente e dependerá das conclusões da investigação técnica.
As autoridades cabo-verdianas procuram agora esclarecer o que provocou uma das mais graves tragédias rodoviárias recentes no arquipélago, enquanto familiares e comunidades da ilha do Fogo enfrentam o luto pela perda de dezenas de vidas.