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Redacção B NEWS·há 2h
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Protestos pós-eleitorais diminuíram o lucro da REVIMO em 79%

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Protestos pós-eleitorais diminuíram o lucro da REVIMO em 79%

Os protestos pós-eleitorais de 2024 deixaram a REVIMO com um impacto financeiro acumulado superior a 650 milhões de meticais em dois anos e com o lucro líquido a cair 79% em 2025, para 11,3 milhões de meticais. A empresa também viu as receitas recuar 16,5%, para 2,2 mil milhões de meticais, num ano em que o tráfego nas suas estradas concessionadas caiu e várias portagens só voltaram a cobrar de forma gradual.

A REVIMO — concessionária que gere 672,9 quilómetros de estradas em Moçambique — foi directamente atingida pelos protestos pós-eleitorais de 2024. Os bloqueios de estradas, a vandalização de portagens e a destruição de infra-estruturas traduziram-se, ao longo de dois anos, num impacto financeiro superior a 650 milhões de meticais.

O peso dessa quebra aparece com força nas contas de 2025. As receitas da empresa caíram 16,5%, para 2,2 mil milhões de meticais, contra 2,7 mil milhões no ano anterior, o que representa menos 439 milhões de meticais em facturação num só exercício. Receitas são o dinheiro que a empresa arrecada com a sua actividade, sobretudo através das portagens.

O efeito mais visível chegou ao resultado final da empresa. O lucro líquido — isto é, o que sobra depois de pagar custos e despesas — caiu 79%, para 11,3 milhões de meticais, face aos 54,7 milhões registados em 2024. Em 2023, a REVIMO tinha lucrado 156,3 milhões de meticais.

Há outro sinal claro da travagem no negócio: o tráfego. Em 2025, passaram pelas vias concessionadas 19,2 milhões de viaturas, menos 30,1% do que no ano anterior, e o tráfego médio diário recuou 48%, para 52 485 veículos.

A empresa já tinha sentido o choque em 2024, quando registou uma perda de receita de 211 milhões de meticais devido aos protestos após as eleições gerais de 9 de Outubro. Somando esse impacto à quebra de 2025, a factura da crise pós-eleitoral ultrapassa os 650 milhões de meticais.

A REVIMO gere actualmente estradas como a N6, a Circular de Maputo, a ponte Maputo-KaTembe e a via Marracuene-Macaneta. Em 2025, a cobrança de portagens na Circular de Maputo e nas ligações à ponte Maputo-KaTembe esteve suspensa nos primeiros cinco meses e voltou de forma gradual entre meados de Abril e Setembro.

Essa perturbação também levou a empresa a cortar investimento. Em 2025, os investimentos caíram 56%, para 410 milhões de meticais, com a REVIMO a atribuir a decisão à quebra de receitas, aos custos de reparação das estruturas vandalizadas e à suspensão das operações em Gaza.

No fim do ano, a empresa tinha 609 trabalhadores e continuava com a estrutura accionista dominada pelo Fundo de Estradas, com 68,7%, seguido do Kuhanha e do INSS, com 14,7% cada, e dos trabalhadores, com 1,9%. O ponto central é este: os protestos não afectaram só as portagens; mexeram nas receitas, no lucro, no tráfego e no investimento da concessionária.

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